Artigo
Direito Penal
Papiloscopia

A importância da perícia papiloscópica em laboratório para a investigação criminal

A perícia papiloscópica em laboratório é essencial para identificar suspeitos, revelar vestígios invisíveis e fortalecer provas técnicas nas investigações criminais.

Por Bruna Daniella de Souza

Papiloscopista (PCEGO) | Professora | Pesquisadora | Perita

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A identificação humana como prova pericial

Um dos maiores desafios enfrentados pelas autoridades policiais e judiciárias é a obtenção de provas idôneas capazes de conduzir à identificação segura de autores de crimes. Nesse contexto, as Ciências Forenses desempenham papel essencial, especialmente por meio da papiloscopia, técnica de identificação humana baseada nas impressões digitais, que contribui diretamente para a busca da verdade e para a efetividade da justiça.

A identificação criminal sempre exigiu métodos confiáveis e cientificamente validados. As impressões papilares, formadas pelas cristas presentes nos dedos, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, possuem características únicas e permanentes, permitindo a individualização de cada pessoa ao longo da vida. Por isso, a papiloscopia se consolidou como um dos instrumentos mais seguros e eficazes na investigação policial.

A força do ambiente laboratorial

A perícia papiloscópica, especialmente quando realizada em laboratório, amplia significativamente a capacidade de revelar vestígios deixados em objetos e superfícies. Muitas impressões digitais não são visíveis a olho nu e precisam ser reveladas por meio de técnicas específicas. Em ambiente controlado, é possível aplicar diferentes métodos químicos e físicos, com maior precisão e segurança, aumentando a chance de identificação dos envolvidos em um crime.

Resultados práticos da perícia papiloscópica

Dados analisados a partir de ocorrências atendidas no Estado de Goiás entre 2017 e 2019 demonstram a relevância desse trabalho. Nesse período, foram examinados inúmeros locais de crime e materiais coletados para análise laboratorial, resultando em milhares de fragmentos de impressões digitais pesquisados. Em cerca de um terço dos casos em que houve identificação de suspeitos, o sucesso ocorreu graças às análises realizadas exclusivamente no laboratório papiloscópico, evidenciando o impacto direto dessa estrutura na elucidação de crimes.

Além de auxiliar na identificação de suspeitos, as impressões digitais podem contribuir para compreender a dinâmica dos fatos e estabelecer vínculos entre pessoas e objetos presentes na cena do crime. Em determinados casos, um único objeto analisado pode levar à identificação de vários indivíduos envolvidos na ocorrência.

Tecnologia e banco de dados biométricos

O uso de sistemas automatizados de identificação por impressões digitais também fortalece esse processo. Com o armazenamento de dados biométricos e o cruzamento automático de informações, torna-se possível localizar indivíduos mesmo quando não fornecem dados pessoais verdadeiros, facilitando investigações e contribuindo para a identificação de vítimas e pessoas desaparecidas. No entanto, a eficácia desses sistemas depende da qualidade das impressões cadastradas e da constante ampliação e integração dos bancos de dados.

Estrutura, técnica e impacto na justiça

Outro aspecto essencial é o rigor técnico em todas as etapas da perícia. O cuidado com a coleta, o acondicionamento e o transporte dos materiais é fundamental para preservar os vestígios e garantir a validade da prova. A aplicação adequada das técnicas, aliada à experiência dos profissionais envolvidos, aumenta significativamente a possibilidade de obtenção de fragmentos utilizáveis para identificação.

Os resultados demonstram que a atuação dos papiloscopistas e dactiloscopistas, tanto no local do crime quanto no laboratório, é decisiva para o avanço das investigações. A análise cuidadosa das impressões digitais gera informações valiosas que podem direcionar a apuração dos fatos e contribuir para a responsabilização dos envolvidos.

Diante disso, evidencia-se a importância da existência de laboratórios papiloscópicos estruturados e equipados nos órgãos de identificação. O fortalecimento dessas unidades amplia a capacidade investigativa, melhora a produção de provas técnicas e contribui diretamente para a segurança pública e para a efetividade do sistema de justiça.

A perícia papiloscópica, portanto, não apenas identifica pessoas, mas também estabelece conexões entre indivíduos e eventos, transformando vestígios em evidências concretas e auxiliando de forma decisiva na elucidação de crimes.

Bruna Daniella de Souza

Papiloscopista (PCEGO) | Professora | Pesquisadora | Perita

Bruna Daniella de Souza é papiloscopista policial da Polícia Civil de Goiás, chefe de laboratório e professora na área de segurança pública. Biomédica, doutora em Medicina Tropical, atua em identificação humana, perícia papiloscópica, biotecnologia forense e formação acadêmica de profissionais da área.

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