Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, com base em dados do Banco Central, aponta agravamento do estresse financeiro no crédito rural brasileiro, com crescimento expressivo da inadimplência e das renegociações.
Números do crédito rural
Principais dados do levantamento
- Carteira total de crédito rural: R$ 812,7 bilhões
- Carteira estressada: R$ 123,6 bilhões
- Crescimento da carteira estressada: 71%
- Margem líquida média dos produtores: entre 2% e 3%
- Comprometimento da receita com juros: de 6% a 8%
Fatores que explicam o estresse
Segundo a análise técnica, o principal fator de pressão não está relacionado apenas a eventos climáticos, mas ao ambiente financeiro marcado por juros elevados, mesmo em um contexto de safra recorde no país.
Renegociação de dívidas e custos financeiros
Aspectos jurídicos relevantes
A maior parte das renegociações foi realizada com recursos livres e juros de mercado, o que levanta questionamentos sobre transparência contratual, encargos excessivos e potencial judicialização das dívidas rurais.
Impactos para o setor produtivo
Consequências econômicas
O elevado custo do crédito pode comprometer a viabilidade econômica dos produtores, afetar cadeias produtivas e gerar reflexos no abastecimento interno, reforçando a necessidade de soluções institucionais.
Por que a redução da Selic pode demorar a surtir efeito?
Existe defasagem temporal entre decisões de política monetária e a melhora efetiva das condições de crédito, o que mantém a pressão financeira mesmo após eventuais cortes na taxa básica.
Especialistas defendem maior diálogo entre governo, sistema financeiro e setor rural para equilibrar acesso ao crédito, sustentabilidade econômica e segurança jurídica.
Fonte: Agro Estadão