Você já conhece a nova técnica que está revolucionando a necropapiloscopia para o tratamento de tecidos fragilizados?
Quando a epiderme está extremamente comprometida, como em casos de carbonização, putrefação avançada ou mumificação muitos métodos tradicionais simplesmente não funcionam. Nessas situações, a manipulação inadequada pode destruir minúcias papilares essenciais para a identificação humana. Mas e se existisse uma alternativa simples, de baixo custo e altamente eficaz?
Um estudo recente publicado no Journal of Forensic Sciences apresenta uma abordagem inovadora que vem chamando a atenção de profissionais da identificação humana. Trata-se de um trabalho que valoriza a ciência, a técnica e a própria carreira do papiloscopista.
O artigo foi desenvolvido pela Papiloscopista Policial do Estado de São Paulo, especialista em Identificação Humana, professora e pesquisadora Tatiana dos Santos Ferreira; pela Papiloscopista Federal, professora e pesquisadora, Dra. Kristiane de Cássia Mariotti; e pela professora e pesquisadora, Dra. Ludmila Alem. As autoras representam, na prática, a excelência técnica e científica da carreira do Papiloscopista, demonstrando o papel fundamental desse especialista na identificação humana e na produção de conhecimento forense.
O estudo foi realizado na área da perícia necropapiloscópica por meio de pesquisa retrospectiva conduzida no Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), no período de janeiro de 2012 a maio de 2022. O objetivo foi demonstrar a eficácia do uso de uma técnica adaptada pela autora para o tratamento de epitélios de cadáveres em diferentes estágios de putrefação e em cadáveres carbonizados, especialmente em tecidos epidérmicos fragilizados.
A pergunta central do trabalho é direta:
Qual técnica pode melhorar a visualização das cristas de fricção, as saliências existentes em nossos dedos, mãos e pés em tecidos epidérmicos frágeis?
O desafio na prática pericial
Na rotina pericial, situações como:
- Descolamento epidérmico;
- Tecido ressecado ou quebradiço;
- Fragmentos epidérmicos extremamente finos; exigem mínima manipulação e máximo contraste para preservar as minúcias papilares.
Nessas condições, qualquer erro pode comprometer definitivamente a coleta de impressões digitais.
A técnica proposta
Após testes comparativos e avaliação por peritos experientes, os resultados demonstraram:
✔ Melhora significativa no contraste;
✔ maior definição das cristas e sulcos;
✔ Alto potencial de aproveitamento em sistemas AFIS;
✔ Aplicação simples e rápida;
✔ Possibilidade de reaplicação sem dano ao tecido.
A técnica apresentada é a transiluminação associada ao pó volcano preto umedecido.
O pó umedecido deposita-se preferencialmente nos sulcos interpapilares, enquanto a transiluminação evidencia a estrutura das cristas. O resultado são imagens mais nítidas, mesmo em epidermes extremamente fragilizadas.
Por que esse trabalho é relevante
O estudo apresenta:
- Aplicação prática em casos reais;
- Metodologia adaptativa para diferentes condições epidérmicas;
- Análise qualitativa e quantitativa dos resultados;
- Proposta de padronização de procedimento;
- Alternativa acessível para a rotina laboratorial.
Trata-se de uma contribuição concreta para a perícia necropapiloscópica, especialmente em contextos desafiadores, nos quais métodos tradicionais falham.
Tatiana dos Santos Ferreira
Pós-graduanda em Identi. Humana | Pós-graduanda em Direitos Humanos e Segurança Pública | Graduada em Nutrição | Professora da ACADEPOL | Tutora | Papiloscopista Policial do IIRGD
Tatiana dos Santos Ferreira construiu trajetória sólida na papiloscopia e na nutrição, com atuação no IIRGD e na formação de profissionais da segurança pública. Sua carreira une ciência forense, direitos humanos e compromisso com a qualificação técnica e humana.