Direito da Criança e do Adolescente

Piscologia Jurídica: A Criança, o Adolescente e o Caminho do Cuidado na Justiça

A forma como o afastamento é conduzido define a reação emocional da criança: quando há previsibilidade e segurança de retorno, não há ansiedade. Entenda por que o diálogo é decisivo.

Por Glicia Brazil

Psicóloga | Bacharel em Direito | Professora | Tutora | Conferencista | Autora | Presidente de Comissão de Estudo de Relações Familiares do IBDFAM-RJ

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Por que algumas crianças ficam bem quando são afastadas da mãe e outras ficam extremamente ansiosas?

A primeira conclusão apresentada por Bob é que isso depende da natureza da relação estabelecida. Existem duas formas de se pensar o afastamento. Quando a criança entende que a perda é temporária,  que ela perdeu o objeto mãe temporariamente, ela tende a ficar bem.

Ao contrário, quando a criança percebe ou acredita que essa perda será permanente, ou seja, que perderá o objeto mãe de forma definitiva, ela entra em grande ansiedade e angústia.

Partindo dessa conclusão que é de Bob, eu, Glícia, com base em evidências acumuladas ao longo de 26 anos de trabalho como perita no tribunal, escutando crianças, e ainda hoje atuando com crianças, adolescentes e adultos em processos de separação, posso afirmar sem sombra de dúvida: dependendo da forma como o afastamento se dá, a criança fica bem.

A importância da previsibilidade

É essencial que seja dito à criança que ela vai, mas que vai voltar. Que ficará um tempo na casa do outro lado, mas que depois retornará. Essa previsibilidade é fundamental.

O nome que dou a isso é justamente previsibilidade: a criança precisa compreender que o afastamento não é para sempre, é temporário. A perda temporária, via de regra, não gera angústia, não gera aflição, não gera medo, não desestabiliza emocionalmente.

A criança vai e fica bem porque sabe que vai voltar.

Por isso, a orientação aos pais, advogados e psicólogos clínicos é clara: orientem seus clientes e orientem as crianças. Mostrem concretamente o tempo da transição. Peguem um calendário e desenhem com a criança o período em que ela ficará afastada, marcando também o retorno. Quando a criança visualiza, ela entende.

Essa transição importa.

A criança não perderá o objeto de amor. Inicialmente, esse objeto de amor é a mãe como figura protetora, como apontado nos estudos de Bob, ainda que hoje reconheçamos que o pai também participa tanto quanto a mãe. Trazendo Bob para a realidade contemporânea, podemos reforçar a importância do diálogo com a criança durante essa transição.

Perda temporária não gera ansiedade.
Perda permanente gera ansiedade.

Por isso, conversemos com nossas crianças.

Glicia Brazil

Psicóloga | Bacharel em Direito | Professora | Tutora | Conferencista | Autora | Presidente de Comissão de Estudo de Relações Familiares do IBDFAM-RJ

Glicia Brazil é psicóloga do TJRJ e bacharel em Direito, com pós-graduação em Processo Civil (EMERJ) e Recursos Humanos (PUC-RJ). Especialista em Psicologia do Testemunho e Depoimento Especial, atua como professora, tutora e coordenadora em instituições como EMERJ, PUC-RJ e IBDFAM, sendo presidente da Comissão de Relações Familiares do IBDFAM-RJ e autora de obras na interface Psicologia e Direito.

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