Relatórios sigilosos do Tribunal de Contas da União indicam que o Banco Central do Brasil acompanhou, por quase um ano, o agravamento da situação financeira do Banco Master antes de decretar sua liquidação extrajudicial, em novembro de 2025.
A auditoria foi conduzida pela Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros e analisou comunicações oficiais, relatórios internos e providências adotadas pela autoridade monetária.
Alertas prévios e supervisão contínua
Desde novembro de 2024, o Banco Central passou a notificar formalmente a diretoria do Banco Master sobre sinais de fragilidade financeira, especialmente relacionados à liquidez e ao cumprimento de exigências prudenciais.
É a incapacidade de uma instituição financeira de obter recursos suficientes para honrar seus compromissos no curto prazo.
Termo de Comparecimento e falhas recorrentes
Em abril de 2025, o Banco Central exigiu recomposição imediata da liquidez por meio de um Termo de Comparecimento, após concluir que as medidas adotadas pelo banco eram ineficazes.
- Descumprimento parcial de depósitos compulsórios
- Dificuldades persistentes de captação
- Medidas corretivas consideradas insuficientes
Agravamento da crise e pedidos rejeitados
A partir de maio de 2025, o Banco Master solicitou dispensa temporária da exigência de depósitos compulsórios, pedidos que foram negados por ausência de respaldo legal.
Auditores também identificaram indícios de irregularidades em carteiras de crédito vinculadas a operações com outra instituição financeira, o que levou à comunicação ao Ministério Público Federal.
Linha do tempo da crise
Nov/2024: Início dos alertas formais do Banco Central
Abr/2025: Exigência de Termo de Comparecimento
Mai–Set/2025: Descumprimento de compulsórios e pedidos de dispensa
18/11/2025: Liquidação extrajudicial decretada
Liquidação e impactos institucionais
A liquidação extrajudicial foi decretada em meio a eventos críticos, incluindo a prisão temporária do controlador do banco no contexto de investigação da Polícia Federal.
- Confiança no sistema regulatório
- Precedentes para futuras intervenções
- Repercussões para investidores e mercado
O Tribunal de Contas da União segue analisando a conformidade das ações do Banco Central com as normas vigentes, em debate acompanhado de perto por agentes do mercado financeiro.
Fonte: Revista Oeste
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