Nenhum trabalhador aguenta mais essa situação.
A pessoa precisa do benefício, acessa o aplicativo do INSS todos os dias e a resposta é sempre a mesma: “em análise”. Dia após dia. Semana após semana. Mês após mês.
A situação chegou ao limite.
Hoje, a fila do INSS gira em torno de 3 milhões de pedidos aguardando análise. É um número absurdo, que afeta diretamente quem depende da Previdência para sobreviver.
E é justamente por isso que essa discussão precisa ser retomada.
Promessa registrada, realidade difícil
Durante a campanha eleitoral, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado sobre a fila do INSS e foi direto: afirmou que tomaria a decisão de acabar com a fila da Previdência Social. Disse que já havia feito isso antes e que faria novamente.
Não foi só ele. O então ministro da Previdência, Carlos Lupi, também afirmou que a fila seria resolvida no primeiro ano de governo.
A promessa está registrada.
O que se viu depois, porém, foi o próprio ministro admitir, no ano seguinte, que zerar a fila era impossível. A justificativa oficial passou a ser a mesma: mudanças na legislação do BPC/LOAS, aumento no número de pedidos e a complexidade do problema, que envolveria outros órgãos além do INSS.
Mas, em 2026, a pergunta que importa é outra: o que foi feito, na prática, para reduzir essa fila?
Mutirão nacional do INSS: funciona mesmo?
A resposta veio nesta semana, com uma nova medida do governo federal. A partir de agora, a fila de pedidos do INSS deixa de ser regional e passa a ser nacional.
Na prática, isso significa que servidores de regiões com menor volume de requerimentos poderão analisar pedidos de estados onde a fila é maior. Se o volume em São Paulo estiver mais controlado, por exemplo, servidores poderão auxiliar na análise de processos de Pernambuco ou de outros estados mais sobrecarregados.
Trata‑se, essencialmente, de um mutirão nacional de servidores do INSS.
A intenção é boa? Sim.
O problema é fácil de resolver? Não.
Agora, se essa medida vai funcionar de fato, só o tempo vai dizer. Por enquanto, o que existe é a expectativa — e a torcida — de que a situação finalmente comece a se normalizar.
Enquanto isso, milhões de segurados continuam aguardando.
Gustavo Escobar
Advogado, CEO da Escobar Advogados e Presidente da Comissão de Marketing Digital da OAB- Goiás
Gustavo Escobar atua à frente da Escobar Advogados e da Comissão de Marketing Digital da OAB-GO, promovendo a modernização do setor com gestão, estratégia e comunicação ética, focado em posicionamento, inovação e fortalecimento institucional.