Ética Pública

Controvérsia: escritório ligado a Lewandowski recebeu R$ 5,25 milhões do Banco Master durante exercício do cargo

Pagamentos de R$ 6,5 mi do Banco Master a escritório da família de Lewandowski, com repasses após ele virar ministro, levantam suspeitas de conflito de interesse e ética pública.
Ética pública Relação público–privada Controvérsia Possível conflito de interesse

Reportagens jornalísticas apontaram que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski (ex-ministro do STF), está no centro de uma controvérsia envolvendo pagamentos feitos por um banco privado a um escritório de advocacia ligado à sua família enquanto ele já exercia função pública no governo federal.

De acordo com o que foi divulgado, o escritório teria recebido cerca de R$ 6,5 milhões em um contrato de consultoria com o Banco Master, com aproximadamente R$ 5,25 milhões pagos após a posse de Lewandowski no ministério, em janeiro de 2024.

Pontos-chave

  • Contrato assinado em 28/08/2023, com remuneração mensal de R$ 250 mil por consultoria estratégica.
  • Contrato teria permanecido ativo por 21 meses após a posse, até setembro de 2025.
  • Lewandowski formalizou saída da sociedade em 17/01/2024 e suspendeu registro na OAB, segundo assessoria.
  • Filhos (sócios) permaneceram no escritório e continuaram recebendo pagamentos relatados.

Linha do tempo (interativa)

Ver eventos principais Toque para recolher/expandir
  • 28/08/2023Contrato celebrado entre Lewandowski Advocacia e Banco Master, com previsão de consultoria “jurídica e institucional” estratégica e remuneração mensal de R$ 250 mil.
  • Jan/2024Lewandowski assume o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Reportagens indicam continuidade do contrato após a posse.
  • 17/01/2024Segundo a assessoria, Lewandowski formaliza saída da sociedade do escritório e suspende registro na OAB.
  • Set/2025Relato indica que o contrato permaneceu ativo até setembro de 2025, com pagamentos no período.

O que o contrato previa e o que foi questionado

Entre as atividades previstas, o contrato mencionava participação de Lewandowski em reuniões do Comitê Estratégico do Banco Master. Segundo o relato, a presença teria sido mínima, com participação em apenas duas reuniões, e não haveria indicação de entregas significativas no período posterior à posse ministerial.

O foco da controvérsia não é apenas a data de assinatura do contrato, mas a manutenção do vínculo e dos pagamentos a um escritório familiar durante o exercício de um cargo público de alto escalão.

Menção a indicação e posição atribuída ao senador

O texto-base relata que a contratação teria ocorrido após indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo no Senado, que teria sugerido o nome de Lewandowski como “bom jurista”. Wagner teria confirmado a sugestão do nome, mas negado participação em outras indicações ao banco.

O que está em jogo no debate jurídico

Entenda (em linguagem simples)

  • Conflito de interesse: situação em que um interesse privado (do agente ou de pessoas próximas) pode colidir com deveres do cargo público — inclusive quando gera aparência de influência.
  • Ética pública: conjunto de regras e práticas para proteger a integridade do governo e evitar que relações privadas comprometam a confiança nas decisões estatais.
  • Improbidade administrativa: mecanismo legal para responsabilizar condutas que, conforme a lei, violem deveres na administração pública (por exemplo, em hipóteses previstas de vantagem indevida, dano ao erário ou afronta a princípios).

Perguntas frequentes (clique para expandir)

A saída formal do ministro do escritório resolve o problema?

O texto-base indica que Lewandowski formalizou a saída da sociedade e suspendeu o registro na OAB. Ainda assim, a controvérsia surge porque o contrato teria continuado ativo e os pagamentos teriam seguido para o escritório familiar, o que alimenta o debate sobre efetividade das salvaguardas e aparência de conflito de interesse.

Por que a “aparência” de conflito de interesse importa?

Em ética pública, não é apenas a influência efetiva que importa: relações privadas relevantes podem afetar a confiança social na imparcialidade do agente público. Por isso, a análise costuma considerar também se a situação “parece” capaz de influenciar decisões.

O que costuma ser cobrado para esclarecer casos assim?

Sem extrapolar além do texto-base, a pressão pública costuma se concentrar em explicações sobre a continuidade do contrato após a posse, documentação das atividades contratadas e avaliação de riscos de conflito de interesse diante de pagamentos a um escritório ligado à família.

Fonte: Diário de Poder

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