Direito Desportivo
Direito Tributário

Lula veta trecho da reforma tributária e reacende disputa sobre impostos no futebol brasileiro

Veto presidencial derruba equiparação tributária no futebol: clubes associativos terão alíquota maior a partir de 2027, enquanto SAFs mantêm carga reduzida, reacendendo disputa no Congresso e no meio esportivo.

A decisão do presidente da República de vetar dispositivos da regulamentação da reforma tributária que tratavam da tributação dos clubes de futebol reacendeu um debate sensível no Congresso Nacional e no meio esportivo.

O veto atinge diretamente as regras aplicáveis às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e aos clubes associativos, dois modelos jurídicos distintos que convivem no futebol profissional brasileiro.

Contexto jurídico essencial

A reforma tributária busca simplificar e uniformizar o sistema de impostos, com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a reorganização de tributos federais, estaduais e municipais.

No PLP nº 108/2024, o Congresso incluiu dispositivos específicos para o futebol profissional, prevendo redução de alíquotas e equiparação tributária entre SAFs e clubes associativos.

O impacto dos vetos presidenciais

Com os vetos publicados no início de fevereiro de 2026, o desenho tributário aprovado pelo Legislativo foi alterado de forma significativa.

Os clubes associativos passarão a ser tributados em aproximadamente 15,5% sobre a receita bruta a partir de 1º de janeiro de 2027, com período de transição até 2032.

Já as SAFs permanecerão sujeitas a uma carga tributária de 6%, mantendo um tratamento diferenciado em relação às associações civis.

Pontos-chave da mudança

  • Tributação maior para clubes associativos
  • Manutenção de alíquota reduzida para SAFs
  • Veto a dispositivos de equiparação tributária
  • Impacto direto a partir de 2027

Fundamento legal do veto

O governo justificou a decisão com base em vícios de inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público.

A equiparação dos regimes tributários via lei complementar foi considerada inconstitucional por criar renúncia de receita sem estimativa de impacto orçamentário-financeiro.

Com isso, foram derrubados os trechos que ampliavam benefícios fiscais às SAFs ou estendiam esse regime às associações.

Reação política e controvérsias

A decisão provocou forte reação no Congresso Nacional e entre dirigentes de clubes.

Parlamentares articulam alternativas legislativas, incluindo a tentativa de derrubada do veto ou a apresentação de novos projetos para restabelecer a equiparação tributária.

Possíveis efeitos práticos

A diferença de alíquotas pode incentivar a migração de clubes para o modelo de SAF, alterando a governança e a estrutura econômica do futebol brasileiro.

Para clubes associativos, a maior carga tributária representa um desafio adicional de sustentabilidade financeira.

A discussão legislativa também poderá influenciar futuras normas tributárias aplicáveis a entidades desportivas em geral.

Fonte: Infomoney

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