A afirmação pode soar estranha à primeira vista, mas é juridicamente correta: quem nasce no Brasil é americano.
Isso porque o Brasil está localizado na América. Logo, sob o ponto de vista geográfico, todo brasileiro também é americano. A dificuldade em compreender essa afirmação decorre, em grande parte, de um costume linguístico que acabou se consolidando ao longo do tempo.
América não é um país
É comum associar o termo “americano” exclusivamente aos cidadãos dos Estados Unidos da América. No entanto, essa associação é fruto de um uso popular da linguagem, não de uma precisão geográfica.
A América é um continente, ou, conforme algumas classificações, um conjunto de continentes subdivididos em América do Norte, América Central e América do Sul. O Brasil está na América do Sul. Portanto, brasileiros são, geograficamente, americanos.
Da mesma forma, argentinos, colombianos, chilenos, canadenses e mexicanos também são americanos. Todos pertencem ao continente americano.
A confusão linguística
O problema surge porque os Estados Unidos adotaram oficialmente o nome “Estados Unidos da América”. Com o tempo, consolidou‑se o hábito de chamar seus cidadãos simplesmente de “americanos”.
Contudo, essa simplificação ignora o fato de que o termo “América” não designa exclusivamente aquele país. O uso corrente acabou restringindo uma palavra que, originalmente, possui abrangência continental.
Em português, por exemplo, utiliza‑se “estadunidense” como termo mais técnico para designar quem nasce nos Estados Unidos. Em inglês, embora o termo “American” seja amplamente utilizado, ele também deriva da estrutura do nome oficial do país.
Identidade e precisão conceitual
A reflexão proposta não é meramente semântica. Ela envolve precisão conceitual e compreensão geográfica.
Reconhecer que quem nasce no Brasil é americano não diminui a identidade nacional brasileira, tampouco cria confusão política. Trata‑se apenas de reconhecer uma realidade geográfica objetiva.
O Brasil integra o continente americano. Logo, seus cidadãos também pertencem a esse continente.
Conclusão
A linguagem molda percepções. Quando se naturaliza a ideia de que apenas cidadãos dos Estados Unidos são “americanos”, perde‑se a dimensão continental do termo.
Do ponto de vista geográfico, histórico e conceitual, a afirmação é clara: quem nasce no Brasil é americano, assim como todo aquele que nasce em qualquer país da América.
E compreender isso é, antes de tudo, compreender a própria geografia.