Direito Administrativo

CNJ aplica aposentadoria compulsória a desembargador por habeas corpus relâmpago que beneficiou condenado ligado ao PCC

CNJ aposenta compulsoriamente desembargador do TJMS por irregularidades em habeas corpus que concedeu prisão domiciliar a condenado por tráfico, que fugiu após romper tornozeleira.

O Conselho Nacional de Justiça aplicou a pena de aposentadoria compulsória ao desembargador Divoncir Schreiner Maran, do TJMS, por irregularidades na concessão de prisão domiciliar a condenado por tráfico de drogas.

A decisão foi unânime e tomada na 1ª Sessão Ordinária de 2026, em processo disciplinar que analisou habeas corpus julgado em 2020.

📌 Pontos centrais da decisão

  • Concessão de prisão domiciliar sem laudo médico comprobatório.
  • Condenado rompeu tornozeleira e fugiu.
  • Análise de 208 páginas em cerca de 40 minutos.
  • Indícios de violação a deveres funcionais.

Contexto do habeas corpus

O pedido foi apresentado durante a pandemia de Covid-19, sob alegação de saúde debilitada do detento, condenado a 126 anos de prisão.

⚠️ Elemento considerado relevante

O CNJ apontou a ausência de laudo médico que comprovasse a condição clínica alegada no momento da decisão judicial.

Análise disciplinar

⚖️ O que foi analisado pelo CNJ?

O Conselho afirmou que não revisou o mérito da decisão judicial, mas avaliou possíveis violações a deveres funcionais e irregularidades procedimentais.

📚 Fundamentação do relator

Foram mencionados indícios de comprometimento da imparcialidade, prudência e decoro do cargo, além de anomalias na tramitação do habeas corpus.

A aposentadoria compulsória é a sanção disciplinar mais severa aplicada administrativamente à magistratura.

📖 O que é aposentadoria compulsória?

Prevista na Lei Orgânica da Magistratura (Loman), é a penalidade administrativa máxima, que afasta o magistrado definitivamente do cargo, com proventos proporcionais.

🗓️ Linha do caso

  • 2020: concessão de prisão domiciliar em habeas corpus.
  • Rompimento da tornozeleira e fuga do condenado.
  • Abertura de processo disciplinar no CNJ.
  • 10/02/2026: decisão unânime pela aposentadoria compulsória.

🔎 Debate institucional

O caso reforça a discussão sobre os limites entre independência judicial e controle disciplinar exercido pelo CNJ em situações consideradas de elevada gravidade institucional.

Fonte: Gazeta e Migalhas

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