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Direito Processual Civil

STJ adota nova dinâmica para sustentações orais e reacende debate sobre contraditório

STJ passou a adotar, em alguns julgamentos, a apresentação do voto do relator antes das sustentações orais, prática que busca dar celeridade às sessões e gerou debate sobre contraditório e prerrogativas da advocacia.

O Superior Tribunal de Justiça passou a adotar, em alguns julgamentos realizados em março de 2026, uma dinâmica diferente para ouvir advogados durante as sessões colegiadas.

Em determinados casos, o ministro relator apresentou seu voto antes da realização das sustentações orais, invertendo a sequência tradicional seguida pelos tribunais brasileiros.

A prática foi observada especialmente nas sessões realizadas em 5 de março na 2ª Seção da corte.

📌 O que mudou na prática

  • ⚖️ Relator apresenta o voto antes da sustentação oral.
  • 🎤 Advogados falam após a posição do relator já ter sido exposta.
  • 📚 Situação ocorreu inclusive em julgamentos de recursos repetitivos.
  • ⏱️ Objetivo apontado é aumentar a agilidade das sessões.

Como funciona normalmente o julgamento

Tradicionalmente, os julgamentos seguem uma sequência definida no processo judicial.

  • 1️⃣ O relator apresenta o relatório resumido do processo.
  • 2️⃣ Advogados das partes realizam sustentações orais.
  • 3️⃣ O relator apresenta seu voto.
  • 4️⃣ Os demais ministros votam.

Na dinâmica recentemente observada, a etapa da sustentação passou a ocorrer depois da exposição do voto do relator.

Intervenção da advocacia ainda pode influenciar

Apesar da mudança na ordem das manifestações, a participação da advocacia continuou tendo impacto em determinados julgamentos.

Em um dos casos citados, a sustentação de um advogado após o voto do relator contribuiu para abrir divergência parcial sobre a tese jurídica discutida.

O episódio ocorreu no julgamento do chamado Tema 1.047, que trata de controvérsia analisada sob o rito dos recursos repetitivos.

📚 O que são recursos repetitivos

Recursos repetitivos são julgamentos utilizados pelos tribunais superiores para definir uma tese jurídica sobre questões que se repetem em milhares de processos.

Depois que a tese é fixada, ela passa a orientar decisões em todo o país em casos semelhantes.

Prática já conhecida no tribunal

O material também menciona uma prática já observada em colegiados do STJ: a dispensa da sustentação oral da parte que, pela orientação consolidada do tribunal, tende a sair vencedora no julgamento.

Essa dispensa costuma ocorrer quando a jurisprudência do tribunal já está consolidada sobre determinado tema.

🎤 O que é sustentação oral?

A sustentação oral é a manifestação do advogado diante do colegiado responsável pelo julgamento.

Nela, o profissional apresenta de forma sintética os principais argumentos jurídicos da causa e destaca pontos relevantes do processo.

No STJ, ela pode ocorrer presencialmente, por videoconferência ou por envio de gravação em sessões virtuais.

O que diz o Código de Processo Civil

O artigo 937 do Código de Processo Civil estabelece a ordem tradicional das manifestações em julgamento.

  • 📜 Primeiro fala o advogado do recorrente.
  • ⚖️ Depois o advogado do recorrido.
  • 🏛️ Em seguida, quando necessário, o Ministério Público.
  • 🧑‍⚖️ Apenas depois os ministros apresentam seus votos.

Essa estrutura busca assegurar que os argumentos das partes sejam considerados antes da formação do entendimento do tribunal.

Debate sobre contraditório e ampla defesa

A sustentação oral está diretamente relacionada às garantias do contraditório e da ampla defesa.

Esses princípios asseguram que as partes tenham oportunidade efetiva de apresentar seus argumentos antes da decisão judicial.

⚖️ Por que o tema é sensível

  • 🧑‍⚖️ Sustentação oral integra as prerrogativas da advocacia.
  • 📢 Permite influenciar a formação do convencimento do tribunal.
  • 📚 Tem impacto maior em julgamentos com efeitos coletivos.

Discussões anteriores no Judiciário

A ordem das sustentações orais já foi objeto de debate no sistema jurídico brasileiro.

O Supremo Tribunal Federal analisou o tema ao julgar ações que discutiam previsões do Estatuto da Advocacia.

Na ocasião, a corte afastou a possibilidade de sustentação oral ocorrer apenas após o voto do relator.

Busca por maior eficiência

A experiência observada no STJ indica uma tentativa de tornar os julgamentos mais rápidos e organizados.

Ao mesmo tempo, o modelo levanta questionamentos sobre como equilibrar celeridade processual com participação efetiva das partes.

Esse debate tende a ganhar relevância especialmente em julgamentos repetitivos, nos quais a tese definida pelo tribunal influencia milhares de processos em todo o país.

Fonte: Portal Juristec

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