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Advocacia ou concurso público? Uma escolha que começa pelo autoconhecimento

Direito é encruzilhada: de um lado, a estrada dos “altos e baixos”; do outro, a trilha da “estabilidade e previsibilidade”. O destino depende do seu “perfil”.

Por Paulo Mendes

Procurador da Fazenda Nacional, Adjunto do Ministro Jorge Messias, Advogado–Geral da União, Professor de Processo Civil da Graduação e Pós Graduação do IDP, Doutor em Direito

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Esse é um dilema recorrente na vida de muitos estudantes de Direito: seguir pela advocacia ou prestar concurso público.

A meu ver, o ponto central dessa decisão não está apenas nas oportunidades externas, mas sobretudo nas características individuais de cada pessoa. Não existe um caminho objetivamente melhor do que o outro. Existe, sim, o caminho mais adequado ao perfil de cada um.

Seu perfil é mais “gente e movimento” ou “estabilidade e rotina”?

Para ser um bom advogado, é fundamental gostar de se relacionar com pessoas.

 É preciso ter desenvoltura para falar em público, capacidade de comunicação e um certo senso de empreendedorismo. A advocacia exige disposição para assumir riscos, porque todos sabem que ela é marcada por altos e baixos. Há períodos de maior prosperidade e outros de maior dificuldade.

O concurso público, por sua vez, oferece um cenário distinto. Ele não proporciona, em regra, os ganhos econômicos que a advocacia privada pode alcançar em determinados momentos, mas oferece algo que para muitos é essencial: estabilidade e previsibilidade. A remuneração é boa e, sobretudo, constante, o que traz segurança para o planejamento da vida pessoal e profissional.

O que pesa mais na sua decisão: risco, segurança ou um meio-termo?

Essas diferenças fazem com que a escolha entre advocacia e concurso público deva ser feita a partir de uma análise honesta das próprias inclinações, expectativas e tolerância ao risco.

 É uma decisão que passa menos pelo glamour de uma carreira e mais pelo autoconhecimento.

É importante lembrar, ainda, que esses caminhos não são necessariamente excludentes. Existem carreiras públicas que permitem o exercício da advocacia, o que faz com que muitas pessoas que têm vocação para advogar acabem migrando para concursos que possibilitam conciliar as duas atividades.

No fim das contas, a escolha profissional no Direito não é uma fórmula pronta. 

Ela exige reflexão, maturidade e clareza sobre quem você é e sobre o tipo de vida profissional que deseja construir.

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Paulo Mendes

Advogado Geral da União Adjunto, Doutor em Direito e Professor.

Paulo Mendes é Advogado-Geral da União Adjunto. É doutor em Direito, com pós-doutorado na UFBA e na Universidad de Salamanca. Atua como professor do IDP e já foi ex-presidente da ABPC.

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