Ser um bom comunicador, transmitir adequadamente suas ideias, ter leitura de cenário e compreender o impacto das mensagens é essencial em qualquer profissão. No Direito, e especialmente no Direito Eleitoral, essa habilidade torna-se ainda mais decisiva. Afinal, trata-se justamente da comunicação do candidato com o eleitor, no processo de pedir votos.
Um profissional que compreende a dimensão estratégica da comunicação, que entende os efeitos de cada mensagem e de cada decisão torna-se mais útil em uma campanha. Ele consegue interpretar melhor o cenário, avaliar impactos e orientar estratégias com maior precisão. Essa capacidade de integrar técnica jurídica e sensibilidade comunicacional é um diferencial real.
Esse movimento já pode ser observado em outras áreas do Direito.
Escritórios especializados em Direito Penal, por exemplo, vêm criando setores voltados à gestão de imagem e crises. Uma decisão judicial, uma operação ou uma notícia geram impactos reputacionais imediatos. Na política, isso é ainda mais intenso. Por isso, o advogado que desenvolve essa leitura estratégica se torna muito mais valioso nas eleições de 2026, nas seguintes e também em outros ramos jurídicos.
Autoridade antes da eleição
O momento correto para construir essa autoridade é antes do período eleitoral, preferencialmente no ano anterior. Os anos ímpares são, por excelência, o período de preparação. A lógica é semelhante à de uma Copa do Mundo: o jogador convocado já demonstrou desempenho consistente em competições anteriores. Da mesma forma, o profissional chamado para atuar em uma eleição precisa já estar consolidado.
Essa consolidação começa pelo currículo. Pós-graduações lato sensu e stricto sensu fortalecem a autoridade técnica. O estudante recém-formado que deseja atuar no Direito Eleitoral pode, e deve, buscar especialização para ampliar sua aceitação no mercado. Instituições com tradição na área oferecem programas consolidados que agregam valor significativo à formação.
Além do currículo, há a produção intelectual. Ela pode ocorrer em periódicos científicos, com linguagem técnica, mas também pode ser direcionada ao público prático: profissionais de marketing político, candidatos e equipes de campanha que buscam respostas objetivas para dúvidas concretas.
No período pré-eleitoral, temas como janelas partidárias, desincompatibilização e condutas vedadas despertam grande interesse. Produzir análises técnicas, comentar decisões do TSE, publicar artigos em sites jurídicos ou nas redes sociais, como o LinkedIn, são formas eficazes de demonstrar domínio do tema e visibilidade profissional.
Visibilidade e relacionamento
Por fim, o networking é indispensável. Currículo e produção demonstram competência; relacionamento estratégico amplia oportunidades. É fundamental circular em eventos acadêmicos, congressos de Direito Eleitoral e também em encontros de marketing político. É nesses ambientes que estão coordenadores de campanha e estrategistas que contratarão advogados.
Outro espaço relevante é o ambiente partidário, não para fazer política, mas para oferecer conteúdo. Palestras para diretórios regionais, participação em eventos partidários e interlocução técnica com agentes políticos são formas legítimas de demonstrar expertise.
A consolidação na área eleitoral depende dessa combinação: formação técnica sólida, produção consistente e presença estratégica. O profissional que integra competência jurídica com leitura comunicacional e capacidade de relacionamento constrói, antes da eleição, a autoridade que o credenciará a atuar quando ela chegar.
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Renon Fonseca
Coordenador da Pós-Graduação em Comunicação Política e Marketing Eleitoral | Doutor em Direito | Consultor Legislativo | Professor do Mestrado em Poder Legislativo da Câmara dos Deputados
Renon Fonseca é Doutor em Direito, Consultor Legislativo e Professor do Mestrado em Poder Legislativo da Câmara dos Deputados, além de coordenador da Pós-Graduação em Comunicação Política e Marketing Eleitoral, com atuação acadêmica e estratégica na área pública.