Direito Empresarial e Societário
Inteligência Artificial

IA, Demissões e Vantagem Competitiva: Por Que o Diferencial Não Está na Ferramenta, Mas no Modelo

Após integrar IA de forma estrutural, o Baker McKenzie anunciou o corte de cerca de 700 profissionais. O movimento sinaliza que a vantagem competitiva virá do modelo, não da ferramenta.

Por Fernando Gomes Xavier

Especialista em Gestão para Escritórios de Advocacia, Fundador e CEO da FGX, Fundador e CEO da New Lever, Criador do Método APPEXIS e Fundador do Lawtech Hub.

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Um dos maiores escritórios do mundo anunciou o corte de aproximadamente 700 pessoas, cerca de 10% do headcount, após integrar de forma mais profunda a inteligência artificial à sua operação. Algumas fontes falam em números ainda maiores.

Trata-se do Baker McKenzie. A maioria das posições afetadas estava concentrada em áreas de negócio, tecnologia, marketing, financeiro e funções administrativas. Não eram advogados. Ainda assim, o movimento é relevante, porque até aqui o mercado jurídico vinha tratando IA como algo mais experimental.

A próxima etapa da inovação

A próxima etapa da inovação jurídica vai nascer dentro dos próprios escritórios. Não porque queiram, mas porque precisarão.

Os próximos dois anos serão sobre sobrevivência. Os cinco seguintes, sobre quem consegue construir um moat,  uma vantagem competitiva difícil de replicar.

Inovação real leva tempo. O hype se move em semanas. Mudanças operacionais e impacto concreto levam anos.

Onde nasce o diferencial

Existe uma pergunta que quase ninguém está fazendo: se todos adotam as mesmas ferramentas, onde exatamente nasce o diferencial?

O roteiro previsível é claro: adquirir a solução, promover treinamento interno e retomar a rotina antiga com um software a mais. Os escritórios que avançarem agirão diferente. Não tratarão IA como implementação pontual. Vão repensar como o trabalho percorre a organização: fluxo, responsabilidade, decisão.

Isso significa traduzir o próprio playbook em processo estruturado. Não “IA para diligência”, mas critério técnico, parâmetros de risco e lógica de revisão incorporados ao workflow.

Sobreviver é incorporar tecnologia. Competir de verdade é reorganizar a estrutura.

A vantagem não estará na ferramenta, mas na maturidade do modelo.

Fernando Gomes Xavier

Especialista em Gestão para Escritórios de Advocacia, Fundador e CEO da FGX, Fundador e CEO da New Lever, Criador do Método APPEXIS e Fundador do Lawtech Hub.

Fernando Gomes é um empreendedor do mercado jurídico com trajetória voltada à gestão, inovação e tecnologia aplicadas à advocacia no Brasil, construída a partir de mais de uma década de experiência prática e da observação das transformações do setor.

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