O mercado já sente os efeitos da reforma tributária. Há uma demanda crescente por profissionais especializados, tanto para atuação em escritórios quanto na administração pública, no planejamento tributário empresarial, na consultoria e no contencioso. Diante desse cenário, é difícil imaginar momento mais oportuno para estudar Direito Tributário.
Estamos em 2026, período de teste do novo sistema. A reforma constitucional foi aprovada, as duas leis complementares já foram editadas e a regulamentação está em andamento. O regulamento do IBS está sendo estruturado, o comitê gestor começou a ser formado e a tributação do consumo passa por transformação profunda. Trata-se de um verdadeiro divisor de águas.
Quem decide se aprofundar agora na prática tributária, com ênfase na reforma, obtém vantagem competitiva significativa. O profissional que compreende o novo sistema, antecipa problemas e participa da construção interpretativa das novas regras posiciona-se de forma estratégica. Uma pós-graduação nesse momento alia técnica e networking, permitindo entender como o sistema está sendo planejado e como os conflitos podem ser prevenidos.
O tributarista do futuro
O Direito Tributário sempre gerou conflito porque lida diretamente com dinheiro e direito de propriedade. Por isso, o tributarista continuará sendo essencial, tanto na atuação constitutiva quanto no contencioso.
No campo constitutivo, será necessário orientar empresas, estruturar planejamentos, interpretar normas e prevenir litígios. Quando o conflito surgir, será preciso um profissional capaz de negociar, conciliar e atuar dentro das novas possibilidades de consensualidade, como a transação tributária, além das discussões sobre arbitragem e mediação.
E, naturalmente, haverá espaço para o contencioso estratégico. O tributarista do futuro será aquele capaz de transitar entre as três frentes: prevenir, negociar e litigar com firmeza e lealdade.
Previsibilidade e o papel do STF
Garantir previsibilidade em matéria tributária nunca foi tarefa simples. O sistema brasileiro é altamente constitucionalizado, o que significa que praticamente toda matéria tributária pode chegar ao Supremo Tribunal Federal. Cerca de 30% dos processos do STF tratam de matéria tributária, número expressivo que demonstra o volume de litigiosidade.
Tanto o STF quanto o STJ decidem grande parte das controvérsias estruturais do sistema. A ampliação da repercussão geral, o controle concentrado de constitucionalidade e os efeitos erga omnes das decisões são mecanismos que buscam maior uniformidade. A modulação de efeitos tornou-se tema central nesse contexto.
Ainda assim, a fragmentação legislativa, especialmente em nível estadual e federal, dificulta a consolidação de plena previsibilidade. O Supremo tem avançado como corte de precedentes, mas a tarefa permanece complexa.
Reforma tributária e contencioso: o curto e o longo prazo
A reforma traz a promessa de simplificação, transparência e justiça tributária. Extingue tributos e unifica regimes, substituindo ICMS, ISS, PIS e COFINS por IBS e CBS, tributos com regras estruturais semelhantes.
Entretanto, no curto prazo, a tendência é de aumento do contencioso. Durante a transição, dois sistemas coexistirão. Haverá debates sobre creditamento amplo, neutralidade, regimes específicos, isenções diferenciadas e repartição de receitas do IBS, além do funcionamento do comitê gestor. Toda grande reforma estrutural gera incerteza interpretativa.
A médio e longo prazo, se o modelo funcionar conforme previsto, a expectativa é de redução significativa do contencioso. À medida que a administração tributária consolide interpretações e os tribunais fixem precedentes, o sistema tende a se acomodar.
Uma geração que constrói o sistema
Ingressar no Direito Tributário agora significa participar da construção de um novo sistema. Professores estão se atualizando, profissionais estão reaprendendo, teses estão sendo desenvolvidas e os primeiros precedentes sobre IBS e CBS estão sendo formados neste momento.
Não se trata apenas de aplicar normas consolidadas, mas de interpretar e ajudar a formar a nova estrutura tributária brasileira. Historicamente, períodos de transição são os mais férteis para a formação de especialistas.
Em síntese, o jogo foi reiniciado. E quem decide entrar agora não apenas acompanhará a mudança, participará dela.
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Tarsila Ribeiro Marques Fernandes
Doutora em Direito | Professora de Doutorado e Mestrado Profissional do (IDP) | Procuradora Federal | Acessora de Ministro do Supremo Tribunal Federal | Coordenadora do Grupo de Pesquisa do IDP
Tarsila Ribeiro Marques Fernandes é Doutora em Direito pela Radboud University (Holanda), professora do Doutorado e do Mestrado do IDP, Procuradora Federal e assessora de Ministro do STF. Coordena o Grupo de Pesquisa “Reforma Tributária, Segurança Jurídica e Jurisdição Constitucional”.