Uma das perguntas que mais escuto em sala de aula — seja na graduação, na pós ou em cursos preparatórios — é sempre a mesma:
“Professor, como responder exatamente como a banca quer?”
A maioria dos alunos parte de um pressuposto equivocado: acredita que a banca valoriza respostas longas, cheias de citações, transcrições de artigos de lei e introduções rebuscadas. Não valoriza.
A banca não corrige por volume. Corrige por método.
Na prática, muitas reprovações não acontecem por falta de conhecimento jurídico, mas por erro de estrutura. O candidato até sabe a matéria, mas não sabe entregar a resposta do jeito que o examinador espera.
E existe, sim, um caminho claro para isso
A banca quer método, não volume
Eu costumo ensinar um modelo simples, replicável e seguro, baseado em três passos fundamentais. Esse modelo serve para OAB, concursos públicos e avaliações acadêmicas.
Parece óbvio, mas é aqui que a maioria erra.
Se a questão pergunta qual é a medida judicial cabível, a resposta deve começar assim:
“A medida judicial cabível é…”
Se a pergunta é se o entendimento do juiz está correto, a resposta começa com:
“Sim, o entendimento está correto” ou “Não, o entendimento não está correto”.
Sem introdução histórica.
Sem contextualização genérica.
Sem “em que pese entendimentos diversos”.
A banca quer saber se você identificou o comando da questão. Quem não responde de forma direta demonstra insegurança ou falta de compreensão do problema.
Explique o porquê com lógica do caso concreto
Depois de responder, você precisa explicar o porquê.
Aqui entra o raciocínio jurídico.
É o momento de demonstrar que você entendeu o caso concreto, a situação fática e a razão da sua resposta.
Exemplos simples:
- É recurso ordinário porque se trata de sentença proferida por juiz do trabalho em processo de conhecimento.
- Não são devidas horas extras porque o empregado estava submetido ao regime de teletrabalho por produção.
- A prisão é ilegal porque não estavam presentes os requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal.
Perceba: não é um tratado. É uma justificativa clara, lógica e conectada ao enunciado.
Cite a base normativa sem copiar a lei
Só então você aponta a base normativa.
E aqui vai outro erro comum: não é necessário copiar o artigo inteiro da lei.
Na maioria das vezes, basta indicar o dispositivo, a súmula ou o entendimento jurisprudencial.
Algo como:
“Nos termos do artigo X do Código Civil.”
“Conforme o artigo Y da CLT.”
“De acordo com o entendimento consolidado do STF/STJ.”
Isso é suficiente para demonstrar domínio técnico.
Menos texto, mais acerto: método passa
A banca quer verificar três coisas:
- Se você entendeu a pergunta
- Se você sabe aplicar o direito ao caso concreto
- Se você conhece o fundamento jurídico adequado
Se esses três pontos estão presentes, duas ou três linhas resolvem a questão.
Quem escreve demais geralmente está tentando compensar a falta de método.
Quem escreve certo, escreve menos.
Menos texto, mais precisão
Responder bem não é impressionar o corretor.
É facilitar a correção.
O examinador corrige dezenas — às vezes centenas — de provas. Uma resposta direta, organizada e objetiva salta aos olhos. Ela comunica segurança.
Por isso, meu conselho é simples:
pare de tentar escrever bonito e comece a responder estrategicamente.
Método passa.
Excesso reprova.
Luiz Henrique Dutra
Advogado, professor, escritor, palestrante e Mestre em Direito.
Luiz Henrique Dutra é advogado e consultor jurídico, professor da CEISC e palestrante. Mestre e especialista em Direito Constitucional, com especializações em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho, além de MBA em Identidade Empresarial.