Direito Empresarial

Empresas de irmãos e primo de Toffoli tiveram fundo ligado a teia do Banco Master como sócio

Empresas ligadas a familiares de um ministro do STF tiveram participação de fundo conectado indiretamente a estruturas investigadas no caso Banco Master, levantando debates sobre transparência e possíveis conflitos.

Documentos oficiais e registros públicos analisados pela imprensa indicam que duas empresas ligadas a familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tiveram como sócio, até pelo menos maio de 2025, um fundo de investimento conectado indiretamente a estruturas financeiras investigadas no caso do Banco Master.

Empresas envolvidas e vínculos familiares

O fundo Arleen Fundo de Investimentos manteve participação societária na Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR), e na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária que listava entre seus sócios um primo do ministro.

Pontos-chave do levantamento:
  • O fundo Arleen figurou como sócio de empresas ligadas a familiares do ministro.
  • A conexão com o Banco Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos.
  • Não há investigação formal direta contra o fundo Arleen.

Cadeia de fundos e conexões financeiras

A ligação com as apurações sobre o Banco Master não é direta. O Arleen foi cotista do fundo RWM Plus, que recebeu aportes de outros fundos, entre eles o Maia 95, citado pelo Banco Central como integrante da suposta teia de fraudes atribuída ao banco.

Como funciona o encadeamento de fundos?

Fundos de investimento podem aplicar recursos em cotas de outros fundos. Esse modelo, comum no mercado financeiro, cria camadas sucessivas de investimentos, o que pode dificultar o rastreamento da origem e do destino final dos recursos.

Gestora e investigações paralelas

O Arleen e outros fundos relacionados eram administrados pela gestora Reag, que aparece no escopo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, voltada à apuração de suspeitas de lavagem de dinheiro associadas ao PCC.

Até o momento, não há confirmação de que o fundo Arleen tenha participado de qualquer irregularidade ou esteja sob investigação formal.

Encerramento do fundo e registros finais

Segundo registros oficiais, o fundo possuía apenas um cotista e foi encerrado no final de 2025. Seu último balanço, de maio do mesmo ano, indicava investimentos nas empresas familiares, em uma holding sem detalhes públicos e em cotas do RWM Plus.

Contexto institucional:

A participação indireta de estruturas financeiras sob escrutínio em empresas ligadas a familiares de autoridades públicas costuma gerar debates sobre governança, transparência e gestão de potenciais conflitos de interesse.

Debate jurídico e posição do STF

O tema ganha relevância adicional porque Dias Toffoli é o relator, no STF, do inquérito que apura as supostas fraudes no Banco Master. Especialistas apontam que, embora não haja impedimento automático, situações desse tipo costumam motivar discussões institucionais sobre imparcialidade.

A reportagem procurou o ministro, seus familiares, as empresas citadas e a administradora dos fundos, mas não houve manifestação oficial até a publicação das matérias analisadas.

Fonte: Metrópoles

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