O caso envolve alegações e respostas conflitantes: de um lado, um sócio aponta falhas de comprovação; de outro, a administração nega irregularidades e atribui as acusações a disputa de controle.
Um conflito societário envolvendo o resort Tayayá Porto Rico, localizado às margens do Rio Paraná, motivou uma denúncia de supostas irregularidades financeiras que ganhou repercussão nesta semana. A controvérsia tem origem em uma auditoria interna que, segundo um dos sócios do empreendimento, identificou lacunas relevantes na comprovação de despesas.
O que a auditoria teria apontado
De acordo com o empresário João Roberto Viotto, detentor de 18% das ações e ex-presidente do empreendimento, o levantamento interno indicaria ausência de documentação hábil — como notas fiscais, contratos ou comprovantes — para justificar saídas de recursos da companhia na ordem de até R$ 100 milhões.
O que é “documentação hábil” (em termos simples)
É o conjunto de documentos que permite comprovar uma despesa e sua finalidade de forma regular — por exemplo, contrato, nota fiscal, comprovante de pagamento e descrição do serviço ou entrega. A falta desses registros dificulta verificar se a saída de recursos foi legítima e correspondente a uma contraprestação.
Supostos repasses e período mencionado
Viotto alega que os supostos desvios teriam ocorrido a partir de junho de 2023. Segundo ele, o período envolveria movimentações financeiras sem a devida comprovação documental e repasses a empresas terceiras sem evidência de contraprestação.
Pontos-chave do relato do sócio
Empreendimento, investidores e estrutura do projeto
O Tayayá Porto Rico é descrito como um empreendimento privado em construção. O projeto prevê 240 apartamentos e 300 casas e já teria comercializado mais de R$ 200 milhões em cotas imobiliárias para mais de 600 investidores.
As informações relativas a valores, datas e dinâmicas de gestão aparecem como alegações do denunciante e como respostas da administração. A verificação dependerá de documentos e de eventuais providências formais.
Participação de empresas e disputa judicial
O empreendimento teria surgido de uma sociedade que, em momentos distintos, contou com empresas vinculadas ao apresentador Carlos Roberto Massa (“Ratinho”) e com empresas atribuídas aos irmãos do ministro do STF Dias Toffoli — o padre José Carlos Dias Toffoli e o engenheiro José Eugênio Dias Toffoli. Segundo o relato, eles participaram do projeto desde a criação em 2021 até fevereiro de 2025.
Linha do tempo citada no texto
- 2021: início do projeto e composição societária mencionada.
- Junho de 2023: marco apontado pelo sócio para o início dos supostos desvios.
- Dezembro de 2024: referência para a divergência entre bancos e saldos registrados.
- Fevereiro de 2025: término do período de participação mencionado para alguns envolvidos.
- Setembro de 2025: pedido de produção antecipada de provas na Justiça do Paraná e posterior retirada antes de decisão.
O que é “produção antecipada de provas”
É um pedido judicial para obter ou preservar provas antes do andamento de uma ação principal, especialmente quando há risco de perda, alteração ou dificuldade futura de acesso. No caso, foi mencionado como meio para buscar extratos e históricos financeiros junto a órgãos como Banco Central, Receita Federal e Coaf.
Resposta da administração do resort
Em resposta às acusações, a administração do resort classificou as alegações como “inverídicas” e “caluniosas”. A gestão afirma que as denúncias seriam motivadas por tentativa de Viotto de retomar o controle da empresa, da qual teria sido afastado por supostas atividades suspeitas, conflitos de interesse e atos prejudiciais à companhia.
O que diz o sócio (alegações)
O que diz a administração (negativa)
Quem não se manifestou
O principal executivo do resort, empresário Patrick Ferro, não se manifestou até o momento. Procurados, os irmãos de Dias Toffoli e o próprio ministro não responderam aos questionamentos da imprensa.
O que observar nos próximos passos
Fonte: Diário Centro do Mundo