A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fabricação e circulação de carteiras de crédito consideradas falsas ou sem lastro e outras fraudes associadas ao Banco Master.
Segundo informações divulgadas a partir de comunicado da PF e reportagens sobre a diligência, estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. As ações ocorrem em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Alvos e linha investigativa
Os alvos incluem endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e a familiares. A apuração menciona indícios de captação de recursos, aplicação em fundos e possível desvio de valores para patrimônio pessoal, com a narrativa de recuperação de ativos e interrupção de suposta atuação de organização criminosa.
Entenda: o que é “busca e apreensão” e por que há bloqueio de bens
Busca e apreensão é uma medida para localizar e recolher itens (documentos, dispositivos e registros) que possam esclarecer fatos investigados. Nesta fase, costuma ter foco probatório: encontrar evidências e preservar informações.
Sequestro e bloqueio buscam impedir a dissipação de patrimônio enquanto o caso é apurado. A finalidade, em geral, é preservar bens e valores para eventual reparação, ressarcimento e outras consequências legais, conforme decisão judicial.
Crimes investigados e o que precisa ser verificado
A PF indica que investiga crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. São tipificações que, em regra, dependem da verificação de condutas estruturadas (como estabilidade e continuidade na associação), da administração temerária ou fraudulenta de instituição financeira e da ocultação ou dissimulação de bens e valores.
Pontos-chave para a apuração:
- Se houve estrutura e permanência suficientes para caracterizar atuação organizada.
- Se a administração foi conduzida de modo fraudulento, com distorção deliberada de informações relevantes.
- Se houve interferência artificial no mercado ou na percepção de risco.
- Se recursos foram ocultados/dissimulados e direcionados a patrimônio pessoal.
O mecanismo descrito: “falsas operações de crédito”
No eixo técnico da suspeita, a investigação descreve um mecanismo de criação de “falsas operações de crédito”, com simulação de empréstimos e valores a receber, que posteriormente seriam negociados com outros agentes do sistema.
Também são mencionadas substituições contábeis por outros ativos após etapas de validação, sem avaliação técnica adequada. Se comprovada, essa dinâmica pode impactar a higidez de balanços e a confiança no mercado, motivo pelo qual o caso é tratado no âmbito do Sistema Financeiro Nacional.
Por que isso importa para o mercado?
Quando ativos e registros contábeis não refletem adequadamente o lastro ou o risco, a leitura de solvência e liquidez pode ser distorcida. Em cenários assim, a preocupação não é apenas interna: a confiança de terceiros e a circulação de posições no sistema também entram em jogo.
- Lastro
- Recebíveis
- Validação contábil
- Confiança de mercado
- Sistema Financeiro Nacional
Contexto: medidas de novembro de 2025
O episódio ocorre no contexto de medidas já adotadas em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Banco Master, citando “grave crise de liquidez” e “graves violações” a normas do sistema, em movimento acompanhado pela primeira fase da Compliance Zero.
Naquele período, Vorcaro chegou a ser preso e, depois, obteve revogação da preventiva com uso de tornozeleira eletrônica, segundo cobertura jornalística mencionada no material-base.
Entenda: o que é liquidação extrajudicial (em termos simples)
Liquidação extrajudicial é um regime administrativo aplicado pelo regulador em situações críticas. Em linhas gerais, busca organizar a condução da instituição sob regras específicas, com foco em tratar ativos e passivos e administrar a crise conforme as normas do sistema.
O que diz a defesa
Em nota reproduzida pela imprensa, a defesa afirmou que Daniel Vorcaro colabora com as autoridades e que cumprirá as determinações judiciais, apontando não ter tido acesso integral aos autos no momento das diligências.
Próximos passos esperados no caso
Com as diligências, a tendência é que a investigação avance na análise do material apreendido e no rastreio de fluxos financeiros, além da preservação de bens e valores já determinada. A evolução do caso dependerá do que for demonstrado no conjunto de provas e das decisões judiciais subsequentes.
Fonte: Migalhas