O Banco Central do Brasil (BC) decretou, em 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida no mercado como Will Bank. Segundo o comunicado reproduzido por veículos de imprensa, a medida foi adotada diante do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, de sua insolvência e do “vínculo de interesse” decorrente do controle exercido pelo Banco Master, que já se encontra sob regime de resolução decretado pelo próprio BC em novembro de 2025.
O que é liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial é um instrumento de resolução previsto na Lei nº 6.024/1974 e aplicado a instituições supervisionadas pelo Banco Central quando a continuidade das atividades se torna inviável. Diferentemente de regimes voltados à preservação do funcionamento, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET), a liquidação tem por objetivo interromper a operação e conduzir a retirada organizada da instituição do Sistema Financeiro Nacional.
No procedimento, há nomeação de liquidante e são apurados ativos e passivos para pagamento dos credores conforme as regras do rito. Em orientação pública, o BC destaca que, com a decretação da liquidação, as atividades operacionais são interrompidas e os credores se submetem ao processo de verificação e classificação de créditos conduzido pela liquidação.
Motivos apontados e ligação com o conglomerado Master
De acordo com o comunicado reproduzido pela imprensa, o BC fundamentou a medida no comprometimento da situação econômico-financeira, na insolvência e no “vínculo de interesse” decorrente do controle exercido pelo Banco Master, que já está sob regime de resolução desde novembro de 2025.
No texto-base, o caso é apresentado como parte do contexto de crise do conglomerado Master. Reportagem da Reuters registrou que a decisão foi tomada após agravamento da situação e mencionou a suspensão de cartões do Will Bank pela Mastercard por descumprimento de cronogramas de liquidação financeira no arranjo de pagamentos, além da avaliação do BC de que tentativas de solução de mercado não avançaram.
Efeitos práticos para clientes e investidores
Do ponto de vista prático, a decretação de liquidação extrajudicial tende a impactar diretamente clientes e investidores, sobretudo no acesso a serviços e na dinâmica de restituição de valores. Com a interrupção das atividades operacionais, a relação com a instituição passa a seguir as etapas do procedimento de liquidação, especialmente no que diz respeito ao reconhecimento e ao tratamento de créditos.
Importante: a liquidação extrajudicial interrompe a operação e desloca o tratamento dos créditos para o procedimento, que envolve verificação e classificação. Isso não descreve resultado de pagamentos, mas o caminho formal citado na orientação pública do BC.
FGC: possibilidade de cobertura e limites informados
Em situações dessa natureza, a proteção de depositantes e investidores pode envolver o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), conforme a elegibilidade do produto e os limites regulatórios. O FGC informa que a garantia ordinária alcança, entre outros, depósitos e investimentos como CDB e RDB, até o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado, com limite global de R$ 1 milhão por CPF/CNPJ em um período de quatro anos, regra aplicável a eventos de intervenção ou liquidação.
Conforme a orientação citada no texto-base, o Banco Central remete às informações do próprio FGC para detalhamento de coberturas e procedimentos.
Linha do tempo do caso
- Novembro de 2025: Banco Master passa a estar sob regime de resolução decretado pelo BC (conforme o texto-base).
- 21 de janeiro de 2026: BC decreta a liquidação extrajudicial da Will Financeira (Will Bank).
- Contexto noticiado: Reuters menciona suspensão de cartões pela Mastercard por descumprimento de cronogramas de liquidação no arranjo de pagamentos e avaliação do BC sobre ausência de avanço em solução de mercado.
Fonte: CNN