Direito Constitucional

OAB defende reforma estrutural do Judiciário com código de conduta e mandatos

O presidente da OAB defende debate técnico sobre reforma do Judiciário, com foco em transparência, regras proporcionais, código de conduta, mandatos e limites a decisões monocráticas.
Reforma do Judiciário Credibilidade, transparência e regras proporcionais

Conteúdo baseado em texto sobre manifestação de Beto Simonetti (OAB) em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo (sábado, 24).

O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, defendeu a abertura de um debate técnico e institucional sobre a reforma do Poder Judiciário, com foco em aumentar credibilidade e transparência no sistema de Justiça.

“A credibilidade do Poder Judiciário não se fortalece com proibições amplas e inconstitucionais, mas com regras claras, proporcionais e aplicáveis a situações concretas de potencial conflito”.

Eixo do argumento

No texto, Simonetti sustenta que temas sensíveis — como potenciais conflitos envolvendo relações de parentesco — exigem uma análise madura, afastada de soluções simbólicas ou genéricas. Para ele, limites constitucionais devem orientar qualquer proposta de aprimoramento institucional.

Pontos-chave

  • Reforma deve priorizar regras claras e aplicáveis a casos concretos.
  • Parentesco entre advogados e magistrados deve ser tratado sem generalizações.
  • Debate envolve: código de conduta, mandatos e limites a decisões monocráticas.

Por que isso importa

Segundo o texto, medidas bem calibradas podem reforçar previsibilidade institucional e confiança pública, enquanto soluções simplistas ou juridicamente frágeis podem gerar insegurança no médio e longo prazos.

Medidas defendidas para uma reforma estruturante

Simonetti cita três frentes que, em sua avaliação, merecem debate: adoção de um código de conduta/ética para magistrados, fixação de mandatos para ministros de tribunais superiores e definição de limites para decisões monocráticas.

Código de conduta O que a proposta busca

O texto sustenta que a medida não implica desconfiança intrínseca dos juízes. A ideia seria dar concretude a deveres éticos já previstos, alinhando o Judiciário a boas práticas institucionais de democracias consolidadas.

Em paralelo, o debate ganhou reforço com o envio, pela OAB-SP ao STF, de uma proposta de código de conduta para ministros, com princípios de integridade, transparência e acesso à Justiça.

Mandatos e colegialidade Como o texto enquadra as ideias

Sobre mandatos para ministros, Simonetti lembra que a discussão já apareceu em proposta de emenda à Constituição apresentada em 2009, com previsão de mandato de 11 anos, sem recondução. No texto, ele aponta potencial para ampliar previsibilidade institucional e reforçar renovação.

Quanto às decisões monocráticas, a proposta de limites é apresentada como forma de fortalecer a colegialidade e reduzir impactos de determinações individuais que possam afetar a percepção pública sobre imparcialidade.

Termos citados (em linguagem simples)

  • Decisão monocrática: decisão individual, sem deliberação imediata do colegiado.
  • Colegiado: conjunto de magistrados que decide em grupo (por exemplo, uma turma ou plenário).
  • Mandato: período fixo para o exercício do cargo, conforme regra prevista em norma.

Posicionamento institucional

Simonetti afirma que a OAB está preparada para contribuir tecnicamente com o debate, que, em sua visão, deve ser conduzido com equilíbrio, diálogo e fidelidade à Constituição, envolvendo todos os atores do sistema de Justiça.

Ele ressalta ainda que propostas sólidas e alinhadas a princípios constitucionais podem contribuir para o aprimoramento do Judiciário, enquanto soluções simplistas ou juridicamente frágeis tendem a gerar insegurança institucional.

Fonte: Migalhas

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