Concurso Público

A um ponto do corte: a trajetória de Leonardo Vaz até a PGE Mato Grosso e a PGE Tocantins

Reprovado por um ponto em duas provas seguidas, Leonardo retomou os estudos após uma mensagem no Instagram do Revisão Ensino Jurídico. Duas provas depois, foi aprovado em ambas: PGE Mato Grosso e PGE Tocantins.

Créditos da imagem: PGE Mato Grosso

Numa prova de procuradoria em Aracaju, Leonardo Vaz ficou a um ponto da nota de corte. Algumas semanas depois, em Campinas, repetiu o resultado: 74 pontos, ainda um ponto abaixo do necessário. “Você ficar a um ponto do corte dá uma machucada, você fica meio em luto ali uns dias”, contou em entrevista ao Revisão Ensino Jurídico, especialista na preparação de candidatos para concursos de advocacia pública e procuradorias.

A virada veio quando Leonardo abriu o Instagram do entrevistador Renério, fundador do Revisão, e topou com uma caixinha de perguntas em que ele afirmava que “quem entrou 73 para cima perdeu o direito de desistir”. A frase funcionou. Uma semana depois, voltou aos estudos. Nas duas provas seguintes, foi aprovado em ambas: PGE Mato Grosso e PGE Tocantins, em sequência. A trajetória, contada pelo próprio em entrevista recente ao canal da Revisão, vai do escritório de advocacia em Recife até a aprovação em duas procuradorias estaduais em pouco mais de dois anos.

Leonardo é o caçula de uma família em que o serviço público sempre foi referência. O pai era concursado em uma empresa pública pernambucana posteriormente privatizada. O irmão é analista do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Aos 18 anos, ao entrar na faculdade de Direito, já tinha clareza do caminho. “Eu vi ali que eles tinham uma vida bem confortável, com uma carga horária saudável também, que não precisava realmente sacrificar muito da vida”, explicou.

A faculdade, no entanto, não foi período de imersão jurídica. “Sempre estudei ali duas semanas antes da semana de prova”, admitiu. A primeira tentativa concreta na seara dos concursos foi para um cargo de técnico do Tribunal de Justiça em 2018. “Foi terrível”, resumiu.

Em plena pandemia, ainda no ensino remoto, conseguiu o estágio que vinha buscando. Passou na OAB de primeira, foi efetivado como advogado no mesmo escritório e ali permaneceu por três anos, atuando em processos de cobrança e execução. “Era algo muito mecânico, que eu não gostava tanto”, reconheceu. A virada de chave veio quando começou a pegar processos contra a administração pública, com defesas ligadas às prerrogativas estatais. Foi ali, lidando com teses de direito administrativo, que decidiu que queria ser procurador.

A iniciativa de largar a advocacia privada para estudar em tempo integral, segundo o próprio Leonardo, foi adiada por mais tempo do que ele gostaria. Em março de 2024, finalmente saiu do escritório. Tinha juntado dinheiro nos três anos de trabalho e contava com o suporte da família. “Sou privilegiado nesse aspecto, tenho o apoio da minha família em questão financeira, de forma que eu consegui me dedicar, de fato, exclusivamente aos estudos”, reconheceu.

Os primeiros dias foram, em suas palavras, perdidos. Sem rotina e sem direcionamento, contratou um curso de formação de base, fixou o cronograma como objetivo único e impôs a si mesmo doze meses de leitura de PDFs, lei seca e questões. A jurisprudência ficou de lado naquele período. “O PDF, ele consome muito tempo”, justificou.

Quando o cronograma terminou, foram às provas. As reprovações em Jabuatão dos Guararapes, Aracaju e Campinas vieram em sequência. Em Aracaju e Campinas, especificamente, ficou a um ponto da nota de corte nas duas. E veio também a frase do Instagram do Revisão que mudaria o curso da preparação.

Encerrada a base, Leonardo refez a rotina. Passou a estudar pelo caderno de erros do QConcursos, tratando-o como o instrumento central da preparação. “Eu diria que talvez seja a ferramenta mais importante do estudante. É você ver o que está errando e focar naquilo ali”. A lógica era simples: errou, joga no caderno, esquece a questão, segue. Uma vez por semana, voltava ao caderno e estudava o que tinha errado.

A jurisprudência, antes negligenciada, virou estudo diário. Pegou os julgados dos últimos três anos no Dizer o Direito e os complementou com compilados de jurisprudência mais antiga, especialmente os de relevância para procuradorias. A lei seca, mesmo sendo “a parte mais chata”, passou a ser a primeira atividade do dia. A Constituição entrou na rotina sem exceção: dez a quinze artigos por dia. “Vai cair tributário, vai cair financeiro, vai cair tudo na Constituição Federal”, justificou.

A tese por trás dessa rotina é simples. Concurso, na visão dele, não se vence por brilhantismo, mas por uniformidade. “Tem que ser padrãozinho em tudo”, resume. “O concurseiro está brigando constantemente contra o esquecimento. Você vai ler uma coisa e vai esquecer daqui a meia hora. Então você tem que repetir mil vezes.”

Para a legislação local, o método teve um detalhe extra. Em vez de tentar dominar as leis estaduais de Mato Grosso e Tocantins integralmente, Leonardo focou no que diferia da legislação federal e no que tinha “cara de inconstitucional”. A lógica é a de que o examinador costuma extrair questões justamente das peculiaridades da norma local. “Você vai mais ver em lei local é coisa que não tem. Não que eu queira ser procurador de lá, tá tudo certo, tá tudo constitucional. Mas essas coisas que são inconstitucionais e que são diferentes da legislação federal você vai fixando mais na cabeça, porque aí você pensa: opa, isso aqui é diferente. E aí cai muito na prova.”

A rotina começava por volta das 8h30 e ia até as 18h, intercalada por pausas para academia, almoço e lanche. “Se eu ficar muito tempo direto estudando, começa o meu cérebro a não absorver mais aquilo ali. Não adianta ficar seis horas seguidas. Para mim, não adianta.” O domingo, antes dia de descanso, deixou de existir como tal quando os editais começaram a sair.

A primeira fase de Mato Grosso veio. A de Tocantins, na semana seguinte, também. Para a fase discursiva, Leonardo confessa um arrependimento: não contratou correção de terceiros. Compensou com volume e com a ajuda do irmão, que também estuda para procuradoria. “Se repete os concursos. Eles vão cobrar de certa forma assuntos repetidos”, explicou. Resolveu peças e questões antigas todos os dias. Conforme se aproximava da prova, parou de redigir os textos completos e passou a fazer apenas o esqueleto, comparando com o espelho oficial.

Saiu da segunda fase de Tocantins convencido de que tinha sido reprovado. “Tinha certeza absoluta.” Em Mato Grosso, num agravo, escreveu treze linhas no formato errado antes de perceber, rasurar tudo e reescrever. Saiu também derrotado. Nas duas, passou.

A surpresa veio em casa, no resultado. “Olhei na lista, eu gelei. Eu acho que eu nem fiquei feliz. Pensei: caramba, eu não tenho condições de fazer uma prova oral.”

Para a prova oral de Mato Grosso, Leonardo assinou o curso de prova oral do Revisão Ensino Jurídico e participou do módulo presencial oferecido pela plataforma em Cuiabá, voltado especificamente para candidatos aprovados na fase discursiva da PGE-MT. O Revisão, referencia no segmento de preparação para procuradorias, estrutura seus cursos de prova oral com simulados práticos, treinos com bancas reais e acompanhamento direcionado para cada concurso.

Leonardo treinou três a quatro vezes por semana com o irmão e com Camille, colega que também havia passado para a fase oral. Além do curso, reviu vídeos antigos de simulados de outras procuradorias no canal do YouTube do Revisão Ensino Jurídico, acervo que reúne gravações de bancas simuladas de diversas PGEs e PGMs. Segundo ele, retirou cerca de 90% das introduções que usaria depois nas respostas a partir desse material.

A regra que levou para a banca, e que aponta como o aprendizado mais importante do curso do Revisão, foi simples: não ficar calado. “‘Não me recordo’ é a última ferramenta que você pode usar.” Numa das perguntas, sobre lei de locação aplicada à administração pública, errou a primeira pergunta da banca. O examinador apontou o erro. As duas perguntas seguintes, formuladas como uma espécie de salvamento, ele acertou. Foi dispensado.

Outra técnica que aponta como decisiva, também trabalhada no método do Revisão Ensino Jurídico, é a da introdução. Para qualquer assunto, há uma porta de entrada genérica que serve para ganhar tempo enquanto o cérebro busca a resposta. “Aqueles trinta, quarenta segundos que você tem de silêncio para pensar é um turbilhão de coisa na cabeça. Você não consegue formular nada. Mas, na hora que você está fazendo a introdução, parece que dá uma acalmada no pensamento.” O estudo diário da Constituição, segundo ele, virou matéria-prima dessa abertura: “A Constituição dá a introdução para quase tudo.”

A aprovação nas duas procuradorias veio na sequência.

Leonardo segue na preparação. Voltou para as questões objetivas depois de quatro meses, está se atualizando na jurisprudência que ficou parada desde a publicação do edital de Mato Grosso e pretende continuar prestando provas até ser nomeado. As nomeações, segundo ele, podem começar ainda em 2026.

Quando conta a trajetória, repete uma observação que talvez sintetize melhor o método dele do que qualquer fórmula sobre cronograma e revisão: “Aquilo me deu um gás. Eu realmente voltei a estudar.”

A frase em questão é a do Instagram do Revisão Ensino Jurídico. A que dizia que, a partir de 73, ninguém tem mais o direito de desistir.


Redação LawletterRevisão Ensino Jurídico

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