Direito Agrário

A terra no Tocantins está valorizando — mas nem todo proprietário está aproveitando

No Tocantins, a terra é como casa bem cuidada: quando a papelada está em ordem, o interesse cresce e o valor aparece; sem isso, a negociação esfria e o preço recua.

Por Paulo Tavares

OAB/TO 12147 | Advogado Agrário

O Tocantins vive, há algum tempo, um processo claro de valorização imobiliária rural. Hoje, já é possível encontrar terras sendo negociadas por R$ 29 mil o hectare, especialmente em regiões com forte vocação produtiva.

Que o Tocantins é uma fronteira agrícola em expansão não é novidade. A questão central é outra: nem todo proprietário rural está conseguindo capturar essa valorização.

E o motivo é simples.

Valorização não é só terra boa — é terra regularizada

O mercado não paga esse valor por qualquer área rural. Ele paga por terra regularizada.

Para que uma propriedade alcance os preços mais elevados, é indispensável que esteja:

  • Regular no cartório de registro de imóveis,
  • Devidamente cadastrada no INCRA,
  • Em conformidade com o Naturatins, com a situação fiscal regular junto à Receita Federal.

Quando essa organização existe, o mercado responde.
 Quando não existe, o valor despenca.

A terra pode até ser excelente para plantio. Pode ter solo fértil, boa localização e potencial produtivo. Mas, do ponto de vista de compra e investimento, a falta de regularização muda completamente a conversa.

O gargalo não é terra — é organização

O principal fator que impede muitos proprietários rurais de aproveitar a valorização do Tocantins não é a qualidade da terra, mas a ausência de organização jurídica e registral.

Sem regularização:

  1. O imóvel perde liquidez,
  2. O acesso a crédito fica limitado,
  3. Investidores se afastam,
  4. O valor de mercado cai.

Na prática, o patrimônio existe, mas não se transforma em valor real.

O ponto de atenção para o produtor rural

O momento é favorável, mas ele exige preparo. A valorização do Estado não se converte automaticamente em valorização do patrimônio individual. Ela depende de estrutura jurídica mínima, documentação correta e conformidade com os órgãos competentes.

Em um mercado cada vez mais profissionalizado, terra irregular deixou de ser oportunidade e passou a ser risco.

Essa é a razão pela qual muitos proprietários ainda não estão se beneficiando plenamente da expansão agrícola do Tocantins: não falta terra boa — falta regularização.

Paulo Tavares

OAB/TO 12147 | Advogado Agrário

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