Documentos e informações jornalísticas indicam que o então presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, tinha conhecimento, ao longo de 2024, de problemas relevantes enfrentados pelo Banco Master, relacionados à liquidez, à consistência contábil e à gestão de riscos.
Alertas técnicos e conhecimento prévio
Relatórios internos apontavam dificuldades crescentes da instituição financeira, incluindo falhas no cumprimento de requisitos mínimos de liquidez e fragilidades nos mecanismos de controle de risco.
Contexto regulatório: o Banco Central pode adotar medidas prudenciais, intervenção administrativa ou liquidação extrajudicial quando identifica riscos à estabilidade do sistema financeiro.
Atuação para evitar intervenção
Apesar dos alertas, Campos Neto teria atuado em ao menos duas ocasiões, em março e novembro de 2024, para evitar medidas mais drásticas, apostando em soluções de mercado para reorganização da instituição.
O que são soluções de mercado?
São estratégias que buscam a reorganização de uma instituição financeira por meio de negociações privadas, como venda de ativos, entrada de investidores ou separação de operações, sem intervenção direta do regulador.
Deterioração financeira ao longo de 2024
O Banco Master acumulava dificuldades operacionais, frustração de planos de captação e deterioração de ativos, agravadas por falhas persistentes na gestão de risco.
Pontos-chave identificados
- Insuficiência de liquidez para honrar compromissos
- Inconsistências contábeis recorrentes
- Plano de captação que não se concretizou
- Falhas no gerenciamento de risco
Liquidação apenas em 2025
A liquidação extrajudicial foi decretada somente em novembro de 2025, já sob a presidência de Gabriel Galípolo, encerrando as operações do banco e iniciando o processo de apuração de responsabilidades.
A postergação da intervenção reacendeu o debate sobre os limites entre prudência regulatória e tolerância excessiva diante da deterioração prolongada de instituições financeiras.
Impactos e críticas
Especialistas questionam se a estratégia adotada contribuiu para reduzir riscos sistêmicos ou se ampliou custos e prejuízos ao adiar medidas mais severas.
Fonte: Metrópoles